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As mudanças e desafios da educação superior

In ARTIGOS E OPINIÃO on 17/10/2012 at 18:53

 

Carta Mensal
Educacional
Publicação do Instituto de Pesquisas e Administração da Educação
ISSN 1414-4778
ano 20 – nº 141 – maio de 2012

As mudanças e desafios da educação superior

João Roberto Moreira Alves (*)

Uma pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico destacou que, em média, o trabalhador que terminou o ensino superior ganha salário duas vezes e meia maior do que aquele que parou no ensino médio.
Esse bônus de mais de 150% pelo diploma supera o índice de trinta e um países desenvolvidos que integram a OCDE. Nesse grupo a universidade gera um retorno salarial de 50%. Nos Estados Unidos da América a conclusão de uma habilitação de nível superior rende uma remuneração 79% maior.
O número de universitários no Brasil dobrou nos últimos dez anos. Em 2001 era de 3.036 mil e em 2010, 6.379 mil. Crescemos quantitativamente.
O segmento privado foi o que mais contribuiu para a expansão. No início da década passada eram 2.091 mil estudantes e ao final, 4.736 mil. O setor público, envolvendo as instituições federais, estaduais e municipais, tinha 994 mil e atingiram 1.643 mil.
Atualmente a livre iniciativa é responsável por 74,3% das matrículas. O federal, por 14,7%, o estadual, por 9,4% e o municipal por 1,6%.
A educação a distância vem crescendo e já conta com uma participação de 14,5%, deixando os 85,5% para a metodologia presencial.
A distribuição geográfica dos discentes era, ao final de 2010, a seguinte: Sudeste – 48,7%; Nordeste – 19,3%, Sul – 16,4%, Centro-Oeste – 9,1% e Norte com apenas 6,5%.
As estatísticas mostram que há uma predominância de público feminino e jovem. Nos cursos presenciais os estudantes têm, em média, 26 anos e a metade, até 24. Já na EAD a média é de 33 anos.
63,5% das matrículas estão concentradas no ensino noturno.
O sistema de acesso aos cursos superiores mudou também nessas últimas décadas. No início dos anos 70 os vestibulares unificados eram a marca registrada do “funil de acesso”. Os alunos excedentes forçaram a expansão da rede privada, com a criação de diversas universidades tanto nas capitais, como no interior. Hoje, predomina o ingresso utilizando os resultados do ENEM. O Exame Nacional do Ensino Médio ainda tem suas falhas, mas conta com pontos positivos.

Não temos, ainda, os números finais de 2011, mas já foram antecipados resultados preliminares do Censo da Educação Básica de 2012.
Os dados permitem que se veja, por município, o número de alunos matriculados nos diversos segmentos e modalidades de educação infantil, fundamental e média.
Nota-se que existem matriculados pouco mais de quarenta milhões de estudantes nas redes oficiais de ensino. Não foram disponibilizados dados das escolas particulares.
Existem 5.160 milhões na educação infantil, 25.012 milhões no ensino fundamental e 7.137 milhões no ensino médio. Completam o quadro os alunos que estudam na modalidade de jovens e adultos (presencialmente), que somam 2.256 milhões do ensino fundamental e 985 mil no ensino médio.
Outro estudo feito a partir das estatísticas liberadas pelo Ministério da Educação mostrou que existem no país 2.648 instituições de ensino superior, sendo 2.284 faculdades (86,2%), 173 centros universitários (6,5%) e 193 universidades (7,3%).
Desse conjunto 2.345 são mantidas por entidades particulares. São 83 universidades, 124 centros universitários e 2.138 faculdades. No tocante à finalidade lucrativa, das universidades 63 não têm fins de lucro e 20 objetivam resultados econômicos. Quanto aos centros, 90 são sem fins lucrativos e 34 têm fins lucrativos. Por fim, quanto às faculdades, 1.095 são sem fins comerciais e 1.043 constituídos como empresas.
Existem, portanto, da rede privada 1.248 (53,3%) constituídos como fundações e/ou associações e 1.097 (46,7%) cujas mantenedoras são sociedades anônimas, limitadas, firmas individuais e outras formas jurídicas.
O Censo da Educação Superior de 2011, ainda não divulgado oficialmente, irá mostrar que existem matriculados nos cursos superiores de graduação e graduação tecnológica, 6.780.000 estudantes. 40% dos discentes estão concentrados em cinco cursos. Administração e Direito têm, cada um, 13%. Segue-me Pedagogia e Enfermagem, com 5% cada e Ciências Contábeis, com 4%. Os outros mais de mil cursos contemplam 60% dos universitários. Ressaltou também que 15% dos matriculados estão usando a metodologia de educação a distância.
As instituições de ensino superior oferecem 4,2 milhões de vagas e que o ensino médio forma anualmente 1,8 milhão de estudantes. Não há mais demanda reprimida, como ocorria no passado.
Não obstante essa realidade de desenvolvimento quantitativo há muitos desafios a serem superados, especialmente quanto ao acesso, financiamento, qualidade e permanência.
O primeiro ponto a ser analisado refere-se ao acesso. O número de escolas de ensino médio é infinitamente superior à soma das universidades, centros universitários e faculdades.
Há falta de opções em muitos municípios que não dispõem de meios para estudos presenciais ou polos de educação a distância. A concentração de oferta existe somente nos grandes e médios centros populacionais. A fraca infraestrutura física afasta jovens das universidades.
Um fator não diretamente ligado à educação, mas impeditivo para o ingresso, é a falta de um subsídio para o transporte dos estudantes. Os alunos das redes públicas de ensino médio tem a gratuidade, mas isso não acontece no âmbito superior. Como muitas instituições – especialmente no interior – são em outras cidades, o custo é absurdamente alto, pois os meios de locomoção são intermunicipais e, consequentemente, impede a matrícula.
O segundo aspecto vincula-se à falta de financiamento para cursar os cursos de graduação ou graduação tecnológica. Os programas governamentais (Programa Universidade para Todos e Fundo de Financiamento ao Ensino) são de difícil acesso. As escolas particulares é que são as responsáveis pelo acolhimento de alunos, embora exista a colaboração da União Federal com a permuta por tributos. Além da burocracia e níveis elevados de exigência, o número de vagas é pequeno, em relação à demanda.
Os dois últimos itens – qualidade e permanência – têm uma forte interligação. Os níveis qualitativos em muitas instituições são baixos, o que leva à evasão.
A fraca qualidade do ensino básico, especialmente nas redes oficiais, faz com que os alunos, mesmo ingressando nas faculdades, não consigam acompanhar os estudos. Para nivelar os estudantes os professores são obrigados a reduzir o ritmo da aprendizagem, tornando, em muitas vezes, as aulas não motivadoras.
As reprovações acabam sendo altas, notadamente nas primeiras séries, e afastam definitivamente muitos alunos.
O Brasil tem uma taxa de matrícula de 22% (entre um terço e um quarto dos países desenvolvidos, metade dos países como Chile, Peru e Venezuela e abaixo de todos os países dos BRICs, exceto Índia), o que nos envergonha num cenário internacional.

A educação superior está em um momento de grandes mudanças. O uso das mídias em sala de aula aumenta cada vez mais e a mobilidade acadêmica vira realidade para diferentes classes sociais, com ofertas cada vez maiores de oportunidades para o intercâmbio. Essas e outras transformações são resultado de tendências presentes na educação e em muitas outras áreas, entendendo-se ao cotidiano profissional das empresas.

As cinco maiores tendências na educação superior são as seguintes:
1. Globalização
Atualmente, há mais de um milhão de estudantes universitários espalhados por todo o mundo. A demanda pela educação superior aumenta e continuará a crescer cada vez mais. As novas ofertas de universidades em diferentes continentes oferecem mais oportunidades para programas de intercâmbio entre as instituições, tanto para alunos como para professores.

2. Branding
Rapidamente, as universidades estão percebendo que a Internet fornece a elas a oportunidade de promover seus programas acadêmicos para tipos diferentes de públicos, abrindo chances para que as faculdades façam seu próprio branding e divulgação. As redes sociais possibilitaram ainda maior contato entre o campus e os universitários ou candidatos, o que pode aumentar a procura pelos cursos oferecidos.

3. Mobilidade
Com o uso cada vez maior e mais frequente dos celulares e smartphones pelos estudantes, é natural que as universidades aproveitem esses recursos para facilitar o acesso aos materiais, aulas e outras ferramentas online.

4. Segurança
Com as tragédias notadas em campus universitários, o assunto segurança na educação entrou em pauta com força em todos os países. A segurança nas escolas, universidades e outras instituições deve ser considerada como primordial. Principalmente porque, em diversas faculdades, qualquer um pode ter acesso às salas de aula. Além disso, é frequente a reclamação de assaltos e furtos em grandes universidades.

5. Tecnologia e planos estratégicos
A tecnologia estará cada vez mais presente na educação, e não só apenas nas salas de aula. A tendência é que as universidades copiem práticas de TI da empresas privadas, para armazenar dados, um processo que, aliás, diminuiria os custos das próprias instituições. É interessante que elas arrendem e guardem recursos para a área de tecnologia da educação. A tecnologia também ajudará os estudantes fora da sala de aula, sendo uma ponte entre escola, pais e alunos.
Em síntese vemos que o quadro mundial e, consequentemente, o nacional, apontam para a necessidade de fortes transformações e da universalização da educação superior.
O Brasil, como outro qualquer país, só avançará se houver uma base educacional sólida de sua população e, para que isso ocorra, torna-se necessário um conjunto de medidas que permitam o aumento quantitativo e a implantação de mecanismos para o crescimento qualitativo dos sistemas educacionais.

(*) Presidente do Instituto de Pesquisas e Administração em Educação

(IPAE 178 – 05/1

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